Computação Anti-segregacionista
Sou professor de disciplinas de curso superior em Computação desde o final do século passado (98-99)! 😱 Cursos de Ciência da Computação, como outros cursos da suposta área de “Exatas” (assunto para outro post! 😉), são extremamente técnicos. Assim, não há tempo, espaço e, às vezes, nem interesse em se analisar eticamente o que produzimos. E qual o problema disso? Basta analisarmos algum uso bizarro de IA’s para entendermos.
Bem, o ~Bazilio de +25 anos atrás, naturalmente, não é o mesmo de hoje. Tenho agora muita dificuldade em ministrar cursos de forma essencialmente técnica, hermética, imparcial. Procuro sempre algum espaço para falar de ética, moral, política, e por aí vai. O curso carece muito de espaços para discussões desse tipo.
Um caso que recorrentemente cito na disciplina de Computação e Sociedade que ministro é de um ex-aluno que me procurou um dia para indicar candidatos para uma vaga de trabalho. Pedi ao aluno para descrever os requisitos da vaga, que tipo de produto seria elaborado, etc. Ele comentou que a vaga era em função de uma demanda nova da empresa: um sistema para gerenciar clubes de tiro. Analisei o pedido, lembrei da conjuntura atual do país (estávamos sendo (des)governados por um fascista, belicista, racista, …) e recusei o pedido. Não consegui dissociar minha eventual indicação a uma contribuição para o caos político e a normalização da falta de respeito que tirava o meu sono na época. Expliquei ao ex-aluno, de uma forma cuidadosa, minhas razões, e ele disse que tudo bem. Mas isso não impediu que ele próprio divulgasse entre os alunos.
Para dar uma mostra de como estão minhas aulas, numa aula de Programação Orientada a Objetos , apresentei alguns trechos de uma hierarquia de pré-conceitos!

As interpretações dos termos que uso no diagrama são bem pessoais e não sei ao certo como os estudiosos dessas relações denominam cada relação apontada. Mas uma ideia geral que defendo é que o pré-conceito é fruto de observação, a qual pode servir para aprendizado ou para a discriminação. Uma outra característica que introduzo neste diagrama é a discriminação poder ser positiva ou não. Como assim, você poderia dizer !?!? No Brasil, por exemplo, racismo contra pessoas negras é lugar comum ainda, infelizmente. Entretanto, se encontramos com um japonês, também acontece racismo, só que positivo, já que achamos este mais inteligente, educado, etc. Outros tipos de preconceito, como misoginia e homofobia, são essencialmente negativos, e por isso a característica positiva é falsa.
Como diz Emicida, É Tudo Para Ontem! ✊🏾