Estetoscópio
Aprendi o funcionamento desse clássico da medicina tradicional de uma forma não muito agradável.
20/06/2026: Sabadão cheio de atividades. Pela manhã, cedo, levei a patroa e na dança e fui fazer coleta de sangue para exame de rotina. Após voltarmos para casa, fui lixar a tampa nova do meu cajon (tenho ensaiado numa banda, mas isso é papo para outra postagem). À tarde teve samba no condomínio que moro com pessoas que curto. Acabei dando canja no pandeiro, tudo isso graças ao querido Rico de Lúcia, capaz de ressuscitar o artista existente dentro de qualquer pessoa. O samba deu uma acelerada num momento e sofri um pouco para acompanhar, mas nada que comprometesse, nem a mim, aparentemente, e nem ao samba. Por fim, jantar num restaurante com nossa querida afilhada Sofia.
Ao chegar no restaurante, sinto uma certa dor no ombro e imediatamente associo ao meu pandeiro. Coisa mais ridícula para um sambista se contundir tocando pandeiro. Entretanto, o querido amigo Filipe disse que já poderia me considerar um artista, pois esses inconvenientes não são tão incomuns. :) A patroa fez uma massagem na minha hora, mas nada da dor abreviar.
Fomos para casa, fizemos compressa, emplastro e fomos dormir.
21/06/2026, 2h: Acordo com dores bem mais intensas e percebo que não conseguirei dormir. Partimos para o hospital. Chegando lá, além de um raio x e medicação pra dor. Após alta, resolvi esperar a dor passar no hospital mas, após 1h, volto para a sala de atendimento informando que a dor não tinha passado. Tomo medicação na veia, fico meio grogue e vou pra casa achando que estava tudo bem. Dias depois, sigo com as medicações receitadas.
26/06/2026: Trabalho normalmente pela manhã. No fim desta, volto a sentir dores no ombro e na costela, no mesmo lado direito. Combino com a esposa, almoçamos e voltamos para a emergência do hospital. Lá sou direcionado para um ortopedista. Este faz uns testes com meu braço e já sabatina: “Lesão no manguito rotador”. Comento sobre a costela, mas ele reage como se eu não devesse dar importância, como se fosse efeito colateral da primeira dor. O ortopedista pede também uma ressonância magnética do ombro, para ter certeza do diagnóstico. Prescreve apenas uma medicação para dor.
27/06/2026, 2h: Acordo novamente com dores. Desta vez, a dor na costela quis ter mais atenção. Cheguei na emergência (a mesma dos outros 2 episódios). Curiosamente, esse hospital não faz triagem, ou seja, não sabiam a intensidade da minha dor. A demora no atendimento veio acompanhada de dor mais intensa, cenário perfeito para a patroa fazer um barraco no hospital. Com o barraco, consegui o devido atendimento. Mais medicação na veia, tomografia do tórax, etc. Alguns médicos ficaram analisando minha condição, até que uma me informa que eu tenho uma inflamação no pulmão, mas muito pequena para caracterizar uma pneumonia. Mais medicação com anti-inflamatórios, remédio pra dor, etc.
29/06/2026: Vou para uma fisioterapeuta amiga para iniciar o tratamento no ombro, mas ainda sentindo a costela dolorida. Mas já saio de casa decidido a procurar um pneumologista no mesmo dia, pois estava no penúltimo dia da medicação e receava voltar a sentir dores. Faço umas pesquisas por profissionais na internet, e fico espantado que alguns médicos já cobram 4 dígitos por uma consulta! 8-/ Peço a amiga fisioterapeuta por indicações de pneumologistas e ela diz 2 nomes, um deles me parecendo familiar, e o outro que aceitava meu plano. Parto para o consultório deste último, mas ele não abriu (este dia foi jogo da seleção de futebol do Brasil na Copa do Mundo e suspeito que tenha sido essa a razão). Procuro por outros na internet e descubro um bem próximo de onde estou. Quando chego lá, não havia o nome que procurava, mas achei a clínica do outro pneumologista indicado pela minha amiga fisioterapeuta, e volto a achar o nome familiar: era o profissional dos 4 dígitos! 8-(
Reflito com minha esposa, penso na dor que senti e resolvo não pagar pra ver, ou melhor, resolvo pagar pra não ver. Só havia uma disponibilidade, às 12:30h, e o jogo do Brasil era às 14h. Já imaginei que não ia ser bem atendido, o que não foi o caso. Após algumas informações, mostras de exame, o pneumologista vaticina: pneumonia. Demonstra uma certa preocupação, mas primeiro examina meu corpo. Nesta hora, e pela primeira vez durante toda essa jornada, encontro um profissional que usa um estetoscópio, algo tão básico da medicina, mas que parece estar caindo incompreensivelmente em desuso pela classe médica. Além do estetoscópio, pediu para falar “trinta e três” diversas vezes, dava soquinhos pelo tórax para ver como ressoava, e por aí vai. O médico não apenas diagnosticou, como disse que já daria esse diagnóstico no primeiro contato, há 10 dias atrás. Bom pra bactéria, ruim para mim.
Aos médicos recém formados, em formação, não ignorem a sabedoria, antiga, clássica, tradicional e usem a porra do estetoscópio!