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Sobre IA's

Inicialmente, no contexto educacional, vou citar 2 observações feitas pelo craque Clóvis de Barros que talvez nos auxiliem a refletir melhor sobre o cenário atual. Primeiro, quanto a usar IA’s como forma de pular etapas, “chegar mais rápido”, aprender de maneira instantânea, esse uso pode ser associado à ideia de se comprar um robô para fazer atividades físicas. Podemos programar esse robô da forma mais ideal, realizando todos os exercícios que nosso corpo precisa neste momento, com forma e postura correta: aeróbico, força, flexibilidade, etc. Por mais perfeito que este seja, terá impacto zero em nosso organismo, pois não somos nós que estamos exercitando, mas sim o robô. Nunca deveríamos delegar o treino de nossa capacidade intelectiva.

Segunda observação. A pedagogia atua sobre 3 aspectos, ao menos, no auxílio da aprendizagem: 1) Axiologia, o estudo dos valores; na pedagogia, é responsável por definir o que queremos do processo de aprendizagem, que indivíduo queremos formar, que perfil este possui (Paulo Freire!), etc; 2) Epistemologia, o que está atrelado aos saberes a serem abordados, ao conteúdo científico em si; 3) Praxeologia, que neste caso se trata das ferramentas utilizadas para se chegar no objetivo almejado. E é exatemente neste último ponto que o uso da IA se encontra. Segundo Clóvis, há uma hipervalorização da importância da IA pois os outros 2 aspectos são negligenciados e/ou esquecidos, apesar de, no mínimo, igualmente importantes.

Indo mais direto ao ponto, cito uma dica que li em algum momento. Uma IA, durante a aprendizagem, pode ser usada no princípio, no meio, mas nunca no fim do processo de aprendizagem.

Bem, um pouco mais tranquilizados pelos pensamentos do professor, deixem-me dar uma singela contribuição quanto a outro aspecto também negligenciado em nossa cultura: a escolha das tecnologias a serem utilizadas. Vivemos, atualmente, uma espécie de guerra fria tecnológica. Por mais que não tenhamos, como nação, recurso financeiro suficiente para competir de forma igual com os países que dominam esse cenário (em particular, EUA e China), somos, como usuários, um player importante no mundo. Assim, nossas escolhas de tecnologias poderiam ser um fator político importante a ser considerado. Vejamos …

Desde que essas ferramentas de IA surgiram, e desde que o DeepSeek fez aquele estrago em seu lançamento, cortando em 3 dígitos os valores requeridos para investimentos em IA, colocando fogo nas bolsas dos EUA, levanto CEO’s a se envolverem diretamente na política partidária americana, sempre procuro usar ferramentas chinesas em meus usos (Estou escolhendo quem me chicoteará? Sim. É a vida! 🙆🏾‍♂️). Vantagens dessa escolha? Recentemente as empresas americanas desenvolvedoras dessas ferramentas tiveram que se posicionar frente à pressão do governo de extrema direita. Isso não é nenhuma novidade, pois já aconteceu com Google, Apple e afins. O detalhe é que, no geral, este governo visa tirar proveito dessas ferramentas para obtenção de informações sigilosas e/ou para uso em guerra efetivamente. Para quem é totalmente contrário a este tipo de conduta, precisa estar ciente de que o uso dessas ferramentas fortalece a existência dessas. Como usuários, é fundamental que escolhamos ferramentas que sejam compatíveis com nossa visão de mundo. E, naturalmente, isso não se restringe a ferramentas de IA. Deveríamos ser criteriosos a todo tipo de escolha (tecnológica ou não!). Nem sempre temos opções interessantes o suficiente, mas o consumo consciente mantém a chama acesa para um mundo melhor.

Por último, mas não menos importante, talvez essas IAs estejam nos impondo um perfeccionismo tóxico, o que talvez nos faça admirar imperfeições, incompletudes, o “feio”. Já se acumulam entusiastas de vinis, saudosos de uma época onde se ouvia tudo de uma gravação. Por que não passarmos a admirar também os erros, como já acontece com Carolina Maria de Jesus em Quarto de Despejo? Nossas falhas, nossas espinhas, por que não vê-las como uma dádiva que nos distingue. IAs podem reproduzir algo similar? Bem provável. Mas, quem sabe assim não teremos um mundo menos segregador e mais tolerante ao “diferente” !!! 😉